Diamante Gould




 
Distribuição: Austrália setentrional



Dimensões: Aproximadamente 13 a 14 centímetro.






Diamante Gould: Bonito e Dócil
Por reunir beleza e docilidade, ele é um forte candidato a ser um bom pássaro de estimação.
Com a beleza de suas cores vivas e bem definidas e o temperamento especialmente dócil, o Diamante de Gould é um dos pássaros preferidos para estimação.
Conhecido em inglês como "Lady Gould" (Senhora Gould), foi assim chamado pelo primeiro ornitólogo a estudar a espécie, John Gould, em homenagem à esposa Elizabeth quando esta faleceu. Hábil desenhista de pássaros, ela registou a imagem das aves que o casal pesquisou junto em expedições realizadas no século XIX.


ADAPTAÇÃO
O diamante de Gould, criado há mais de 100 anos em cativeiro, ambientou-se à criação doméstica a ponto de não estranhar a aproximação das pessoas e permanecer calmo em situações como quando se coloca comida na gaiola, sem demonstrar medo. Isto é extraordinário se considerarmos que na natureza não desce ao solo para beber se não pressentir absoluta segurança, podendo voar até 3 horas à procura de um poço seguro. A confiança adquirida não significa, porém, que o local onde fique não deva ter algum resguardo, para que ele viva e procrie bem. É bastante comum que viva mais de 10 anos, quando tratado adequadamente.
Recomenda-se antes de um envolvimento com o Gould alguma experiência com espécies mais rústicas como Canário de Cor, Periquito Australiano e Manon. Isto porque o Gould é um pouco mais delicado, mas não a ponto de causar problemas.
Quanto à procriação, na maioria dos casos (há excepções) a espécie não dá atenção aos filhotes, exigindo o uso de uma ama-seca, como o Manon, para chocar os ovos e cuidar dos pequenos até a sua independência.
Pode conviver com outras aves, como o Starfinsh, Mandarim, Manon e Bico-de-prata principalmente em viveiros ou voadeiras que são mais espaçosos. Deve-se evitar superpopulação e espécies agressivas.
O interesse pela sua criação cresceu com o aparecimento, sobretudo nos últimos 10 anos, de mutações com novas cores e marcações.

Cores
Original - Cabeça: vermelha, preta ou laranja. Peito: violeta. Barriga: Amarelo-ouro. Manto: verde luminoso.
Mutações -Cabeça: amarela ou cinza. Peito: branco, rosa ou azul. Barriga: creme. Manto: amarelo, cinza clara, azul etc.

Instalações
Que permitam banho de sol e em local com algum resguardo. Gaiola - para 1 casal, ao menos 60 cm de comprimento x 30 cm de profundidade x 35 cm de altura. Viveiro - de alvenaria, com apenas a frente de tela, voltada para o Norte, com 3 m de comprimento x 1 m de largura x 2,10 de altura, piso de laje com 15 cm de espessura e tela de ½ polegada com fio 18.

Acessórios
Em gaiolas, 2 poleiros de 10mm de diâmetro, bem afastados e longe das laterais, para evitar danos às penas da cauda. Galhos de árvores são também uma boa opção, mais usados em viveiros. Ponha uma banheira para banho diário, que ajuda a manter a plumagem em boas condições. Deixe sempre à disposição um osso de siba para fornecimento de cálcio e areia mineralizada para ajudar na digestão.

Alimentação
Os diamantes gould alimentam-se de uma mistura de sementes feita para aves tropicais que contenha diferentes tipos de milho painço.
A mistura deve ter as seguintes sementes: 25% de alpiste e 75% de painço e milheto, diariamente. Em dias alternados, verduras. Duas vezes por semana e na época de procriação, mistura de 20% de Farinha Láctea, 60% de Neston, 20% de farinha de rosca; acrescentar ovo cozido esfarelado. Para cada kg desta mistura acrescentar 4 colheres (sopa) de um suplemento nutricional como o ASA F1 e 3 de fosfato bicálcico. Na natureza alimenta-se de gramíneas, sementes, brotos de verduras, insectos adultos e em estado de larva e eventualmente de frutas e até pólen.
Além disso, estas aves apreciam semente de ervas frescas e milho painço italiano. É conveniente que disponham de areia em quantidades suficientes, para que as aves possam satisfazer as suas necessidades digestivas.

Identificação sexual
O macho tem cores mais vivas principalmente no peito, a cauda central mais comprida. Faz o corte movimentando-se no poleiro, expondo as plumas e cantando. No período de acasalamento é comum o bico do macho tornar-se mais claro e o da fêmea mais escuro.
As fêmeas podem ser reconhecidas pela sua plumagem com uma cor menos brilhante e, durante a época de gestação, os seus bicos adquirem uma cor cinzenta-escura. A faixa azul na parte anterior da cabeça, por vezes, não se manifesta nas fêmeas, ou tem uma tonalidade mais pálida.

Cruzamento
É totalmente desaconselhável cruzar ave recessiva com recessiva (cabeça laranja ou peito branco ou manto azul), pois diminui o tamanho dos filhotes, que ficam mais susceptíveis a doenças e podem nascer com problemas genéticos.
Cruze o recessivo com um dominante que seja filho de recessivo.

Reprodução
Começa quando os machos passam muito tempo a cantar e os seus bicos ficam branco pérola, as fêmeas saltitam de poleiro em poleiro agachando-se e o seu bico escurece.
O facto de as aves escolherem o seu par aumenta em muito o sucesso de criação, sendo a fêmea a escolher o macho. Este inicia a sua corte saltitando num ramo e depois baixando a cabeça ao nível das patas e abanando-a para os lados, sempre com as penas eriçadas para chamar atenção para as suas cores vivas. Repete este ritual várias vezes durante a corte à fêmea que se não estiver interessada afasta-se. A cópula realiza-se no interior do ninho. A luz nesta altura é essencial pois realça a cor das aves.
A preparação do ninho consiste na escolha do ninho, com uma câmara mais profunda, sendo o macho a fazer o ninho, observado de perto pela fêmea que só entra no ninho depois deste estar terminado, passando os dois mais tempo no seu interior a medida que se aproxima o início da postura. Dependendo do ciclo de criação, passados 10 a 15 dias tem inicio a postura, pela manhã, e varia entre 4 a 7 ovos. Depois de colocado o 3º ovo tem início o choco, repartido pelos dois durante o dia e só pela fêmea à noite.
Após o 5º dia já é possível observar quais os ovos férteis. Ao fim de 14 dias nascem as crias, sendo os restos dos ovos comidos pelos pais. As crias são alimentadas por ambos os pais. Algumas aves deitam os filhos fora do ninho devido a alimentação insuficiente, má condição reprodutora e ciclo reprodutor desfasado entre macho e fêmea. As crias saem do ninho cerca de 24 a 26 dias após o nascimento e raramente regressam ao ninho passando a noite encostadas num canto ou num ramo, tornam-se auto-suficientes cerca de 15 dias depois, nessa altura os pais recomeçam os preparativos para uma nova ninhada. Nessa altura as crias dever ser retiradas para uma voadora para ai iniciarem a muda. A muda tem início cerca das 6 a 8 semanas de idade e é um processo que dura de 4 a 6 meses. As aves requerem uma dieta rica em proteína, papa de ovo, sementes germinadas. As primeiras penas coloridas a aparecer são as do abdómen e em seguida as do rabo, o peito começa a mudar ao mesmo tempo da cabeça e as das costas são as últimas. Algumas aves ficam com muda incompleta durante o ano mas na próxima época já fazem muda completa. É uma época bastante stressante para as aves ficando frágeis e sensíveis a doenças. Nesta altura muitas aves juvenis morrem.
Os filhotes ficam independentes, aos 45 a 50 dias, separe-os dos pais ou da ama para iniciar nova postura. Após 3 posturas dar descanso de 1 mês ao casal, totalizando 6 posturas por ano quando a mãe não choca (usa de ama). Quando a fêmea também choca, fazer só 3 posturas seguidas, por ano. Usar ninho de madeira de 20x14x14cm, com divisória de 4,5cm de altura, formando 1 ambiente para os ovos (13x14) e outro (7x14) para os primeiros passos dos filhotes. Neste último fica a porta, redonda, na parte superior. A tampa deve ter 3 furos em cada extremidade, para melhor circulação do ar.

Criação dos filhotes
Em geral criados exclusivamente por seus pais e não por amas-secas, são mais zelosos. Se os acostumarmos ao uso de ama-seca, dificilmente criarão sem a ajuda dela no futuro.

Muda da Pena
O diamante de gould não tem essas cores tão vivas que o caracterizam desde os seus primeiros dias de vida, pois nascem com uma plumagem bastante apagada que em nenhum modo definem as suas 4 partes características (cabeça, peito, dorso e abdómen).
A primeira muda da pena acontece cerca dos ¾ meses de vida. A muda anual como o seu próprio nome indica, faz-se uma vez anualmente, normalmente quando a época de reprodução termina. A duração desta muda anual tem sensivelmente a duração de um mês a um mês e meio, período este onde os nossos diamantes de gould devem ter uma temperatura constante e alta, sem correntes de ar.
No caso de haver uma baixa repentina da temperatura ambiente, a muda da pena será interrompida.

Marcações nos Filhos
As marcas luminosas que levam os filhotes na boca servem para indicar e guiar os seus pais na escuridão do ninho, onde devem depositar a comida, pois as distintas cores preta (paladar e língua), azul (boca) e amarelo (comissura do bico) e o constante movimento da cabeça dos filhos, incentivam os pais a depositar a comida. Cerca dos dois meses estas marcas irão desaparecer, pois neste período já os jovens filhotes se alimentam sozinhos e de nada servirão.
Estes pontos são somente indicadores, uma alimentação adequada e abundante, higiene nas gaiolas e acessórios, temperatura e humidade relativa idóneas e a devida atenção dos pais, e finalmente o criador terá um papel igualmente importante nos diversos ciclos biológicos dos nossos amigos goulds.
Este é o modelo pelo qual nos iremos guiar para identificar as características da espécie, neste caso do DIAMANTE DE GOULD em todos os itens da ficha de julgamento, posição, tamanho, forma, desenho. Cor, plumagem e condição geral da ave.
Estes factores servem fundamentalmente para fazer a diferença na qualidade das nossas aves.



GENÉTICA DO DIAMANTE DE GOULD

Pontos de acção da genética
Nesta espécie existe 3 zonas distintas todas elas afectadas por diferentes genes o que por um lado facilita as coisas, mas complica o trabalho necessário para as combinar.
Temos a cabeça que pode ser vermelha, preta ou laranja (erradamente denominada amarela, pois uma verdadeira mutação amarela está agora a ser desenvolvida). As combinações em que esta zona surge branca ou cinzenta (vulgar nos prateados) são geneticamente indivíduos de cabeça preta. O corpo (costas) é na variedade normal verde existindo mutações amarelas e azuis, que podemos combinar para obter prateados e argentes. Por fim o peito pode ser roxo ou branco.
Geneticamente todas estas acções são independentes (ou quase...). Vejamos cada um dos factores existentes por zonas:
Cabeça
Vermelho - Dominante sobre o preto e ligado ao sexo.
Preto - Ligado ao sexo. Recessivo para o vermelho mas dominante sobre o amarelo.
Laranja - Recessivo autossómico para o preto mas epistático sobre o vermelho.

Peito
Roxo - Dominante
Branco – Recessivo

Corpo
Verde - Dominante
Amarelo - Codominante ligado ao sexo
Azul – Recessivo

A cabeça merece uma análise mais profunda que será feita mais adiante. Em relação ao corpo é fácil perceber como funcionam as coisas. A variedade selvagem é verde, como o amarelo é co-dominante ligado ao sexo apenas os machos podem ser portadores (pastéis). Neste caso a cor das costas é um verde-claro pois o amarelo vai diluir esta zona. As fêmeas ou são amarelas ou normais.
Todos os filhos de uma fêmea amarela com um macho normal serão pastéis e as filhas normais. Num casal macho pastel e fêmea normal teremos todas as crias amarelas como fêmeas e alguns machos pastéis. Um macho pastel com uma fêmea amarela produzem amarelos de ambos os sexos e pastéis. Dois amarelos só produzem amarelos.
O azul é recessivo e portanto a ave tem de receber o gene azul de ambos os pais. Os verdes podem ser portadores de azul e os azuis que forem combinados com o gene amarelo vão ficar mais claros devido ao amarelo ser co-dominante. Um macho azul pastel é chamado de "argenté" pois a sua coloração é um bege claro e um macho azul amarelo é um prateado. Os brancos são fruto da combinação complexa de pratas com azuis de cabeça preta (fenótipo cabeça branca) amarelos de peito branco.
Em relação ao peito o roxo é dominante e o branco recessivo.
As variedades mais espectaculares são os prateados e os brancos, mas para isso temos de combinar os vários factores no mesmo pássaro. Isso requer muitas contas e um bom conhecimento da genética das aves com que trabalhamos. Claro que haverá criadores que defendem os contrastes das linhas clássicas com toda a sua razão!! Mas a combinação dos diversos factores até à produção de indivíduos brancos ou prateados é muito interessante e produz aves de grande valor genético.
Existem já algumas novas mutações, mas são raras, nomeadamente os inos e factores de diluição e escurecimento, pelo que sei muito pouco sobre estas para as descrever. De qualquer modo deve demorar no mínimo uns anos até que quem as tem de momento se "farte" e deixa sair uns quantos até Portugal!

Acção bioquímica na formação da cor da cabeça
A melanina é o único pigmento presente na coloração da cabeça em Goulds de cabeça preta. A Cantazatina (um beta-caroteno) é o único responsável pela cor vermelha, enquanto que um alfa-caroteno é determinante da cor laranja.
Podemos ver que os vermelhos e amarelos são totalmente distintos e não uma diluição da mesma cor vermelha como por vezes se pensa. O processo bioquímico assenta em pigmentos totalmente distintos. Também a própria estrutura das penas é diferente em aves de cabeça preta, vermelha e amarela, nomeadamente pela redução das barbelas nas cabeças vermelhas e amarelas o que pode indicar a presença de um segundo gene em ligação absoluta com estes que também afecta este factor. A acção genética por detrás das diversas cores de cabeça prende-se com a capacidade de determinados genes de desviarem a produção de pigmentos responsáveis pela formação de uma destas cores. Isto é particularmente evidente no caso da cabeça laranja que é obtida por uma transformação dos pigmentos da cabeça vermelha, daí que o gene para vermelho também tenha de estar presente.

Mecanismos genéticos da cor da cabeça em Diamantes-Gould
A cor da cabeça nestas aves pode apresentar 3 tipos: vermelho, preto e amarelo.
A explicação completa dos mecanismos que a controlam é demasiado extensa pelo que apenas se apresenta uma breve noção. No capítulo referente a genética são explicados alguns termos e mecanismos básicos de transmissão genética. A interacção das diferentes zonas torna o cálculo genético mais complexo para esta espécie uma vez que temos de considerar sempre as diversas áreas como uma parte da combinação final.

Calculador genético para diamantes-Gould.
A cor da cabeça está dependente, assim como a do corpo, da constituição genética da ave (conjunto dos seus genes). Quando do acasalamento e da fertilização cada progenitor passa metade da sua informação genética (que têm em duplicado) à cria. Como os pais podem ser geneticamente diferentes a cria terá um fenótipo (manifestação da constituição genética) que resulta do modo como as duas metades recebidas dos pais actuam entre si. Neste caso específico o gene que tem a ordem para cabeça vermelha domina o da cor preta, mas o preto domina o laranja ao mesmo tempo que o laranja "domina" (na realidade esconde...) o vermelho. Parece confuso, mas na verdade não é. O gene para vermelho e preto estão nos cromossomas sexuais, nomeadamente no cromossoma Z. Nas aves o sexo é determinado por um par de cromossomas Z e W, fêmeas são ZW e machos ZZ.
Assim, nos machos existem dois locais disponíveis para estes genes ligados ao sexo, o que faz com que a transmissão seja semelhante aos caracteres autossómicos. Nas fêmeas por seu lado existe apenas um local e qualquer alelo presente, mesmo que recessivo, é o que irá ser expresso no fenótipo.
A transmissão da cor da cabeça nos Goulds é mais simples de perceber assumindo a cabeça preta como o fenótipo normal e estudando o efeito da presença dos outros genes para vermelho e amarelo.
Através deste processo é possível descrever todas as combinações sem acrescentar o problema da hereditabilidade da cabeça preta.
Assim sendo, uma fêmea de cabeça vermelha só tem um gene vermelho pois só tem um cromossoma Z, mas um macho pode ter um gene vermelho e um gene preto ao mesmo tempo (um em cada cromossoma Z). Como o vermelho domina o preto este macho tem cabeça vermelha. Uma fêmea que tenha um gene para o preto tem de ter cabeça preta porque só tem um cromossoma Z, enquanto que um macho de cabeça preta tem de ter dois genes de preto, um em cada cromossoma.
Até aqui ainda é simples porque estes genes estão no mesmo cromossoma. O laranja por sua vez não está nos cromossomas sexuais, mas sim nos autossomas. Funciona como o preto, são precisos dois genes laranjas para se mostrar, mas, além disto, como o preto domina o laranja é preciso que esteja também presente pelo menos um gene vermelho nos cromossomas sexuais. Isto é, só aves de cabeça vermelha pura(ou portadoras de preto) poderão ter crias de cabeça laranja (ou um cabeça preta desde que cruzado com outro de cabeça vermelha). Neste caso o laranja vai esconder o vermelho mas precisa que este esteja presente para dominar o preto. Uma ave de cabeça preta pode ser portadora de amarelo mas nunca o mostra. Isto acontece porque é preciso que o gene vermelho desvie a produção de pigmento de preto (eumelanina) para vermelho (beta-caroteno) para que o laranja possa levar à produção da cor laranja (alfa-caroteno) Isto tudo faz com que os resultados obtidos com as cores vermelhas e preto afectem directamente a expressão do laranja e estejam dependentes do sexo dos progenitores e crias.
Muita das dificuldades em perceber correctamente este processo resulta de se esperar e trabalhar este factor como uma transmissão normal com hereditabilidade clara, o que não é verdade. Neste caso o mais fácil para percebermos rapidamente como funciona é a comparação ao jogo do pedra, papel e tesoura. O preto domina o laranja, mas o vermelho domina o preto, no entanto o laranja domina o vermelho.
A cabeça preta é o fenótipo mais abundante no estado selvagem. Na realidade as populações selvagens com diferentes colorações de cabeça formam sub-espécies por habitarem diferentes zonas do continente australiano o que dificulta o cruzamento entre elas e assim permitiu fixar os respectivos genes. Alguns autores assumem portanto a cabeça preta como uma ausência de genes modificadores da cor da cabeça. É herdada como um gene recessivo ligado ao sexo.
O vermelho é um gene ligado ao sexo dominante sobre o preto. Os machos de cabeça vermelha podem ter 1 gene vermelho (vermelhos FS) ou 2 (vermelhos FD). Caso não tenham nenhum são de cabeça preta. Como estes genes estão no cromossoma Z a fêmea pode apenas ter um gene vermelho ou preto, nunca um de cada como os machos.
Assim, uma fêmea de cabeça vermelha tem só um gene de cabeça vermelha e porque o seu cromossoma Z é sempre passado aos filhos macho (que recebem o outro cromossoma Z do pai), todos os machos filhos de uma fêmea de cabeça vermelha terão cabeça vermelha, excepto se herdarem também dois genes autossómicos para cabeça laranja.
Uma das regras é que fêmeas de cabeça vermelha produzem sempre filhos de cabeça vermelha ou amarela. O inverso significa que machos de cabeça preta têm de ter mães de cabeça preta. Machos de cabeça vermelha podem produzir filhos de qualquer uma das três cores, dependendo da fêmea com que os acasalemos e de serem ou não portadores de laranja.
A cabeça laranja resulta da interacção de um conjunto de genes com os determinantes de cabeça vermelha ou preta. É transmitida como um gene recessivo autossómico pelo que requer dois alelos para ser visível. Além disso, como o preto domina o laranja também necessita que exista pelo menos um gene vermelho nos cromossomas sexuais do indivíduo. Daqui podemos calcular que crias de casais de cabeça laranja podem ser de cabeça preta, embora sejam todas fêmeas (se o macho for vermelho FS), ou todos de cabeça laranja se o macho for vermelho FD.
Ambos os sexos podem ser portadores de laranja sem isso ser visível. Apenas nos cabeças pretas se pode distinguir os portadores de dois genes amarelos pois estes têm a ponta do bico amarelada (no entanto está escondida pelo preto).

Cálculo das descendências
Nas tabelas seguintes estão as previsões do resultado do cruzamento de diversas cores de cabeça.
A primeira tabela mostra todos os genótipos possíveis e respectivos fenótipos. A ausência do gene vermelho (V) é interpretada como a presença do gene preto no mesmo locus. Das 9 combinações possíveis seis são fêmeas e os três genótipos com dois genes para vermelho são machos. O amarelo é representado como a.
Cada genótipo tem um número (1-9) descrevendo o sexo, fenótipo, contagem de genes e genótipo.
Na tabela 2 estão os resultados dos cruzamentos dos tipos de genótipos descritos na tabela 1 com os números de 1 a 9. Estão listados os nove genótipos possíveis para os machos na coluna da esquerda e os seis possíveis para as fêmeas na linha do topo.
Lendo os valores na intersecção ao longo da linha dos machos, a parte de cima tem os genótipos para os machos e a de baixo para as fêmeas, representados segundo os mesmos números da tabela 1.




Como usar a tabela 2
Partindo de genótipos conhecidos para os pais podemos obter os possíveis resultados através da intersecção das linhas, caso não se conheça os genótipos dos pais pode-se saber um pouco mais trabalhando ao contrário e vendo possíveis genótipos para os fenótipos dos filhos.
Espero que esta informação possa servir de ajuda a todos aqueles que como eu tentam estabelecer linhas puras de reprodutores nesta e noutras espécies e demonstre a importância da genética na avicultura para uma correcta selecção e acasalamento.


SAUDE E DOENÇAS
Elementos essenciais ao Diamante de Gould:
- Boa condição física com desparasitação e controle de doenças
- Nutrição equilibrada
- Agua e comida limpas
- Higiene das instalações
- Evitar alojamento com outras espécies
- Evitar sobrepovoamento
- Luz solar directa
- Protecção do frio
- Época de acasalamento definida
- Perceber a “condição de criação” e os seus efeitos na criação
- Espaço apropriado para muda
- Evitar reprodução em épocas frias
- Privacidade.
Existe o mito que são aves mais frágeis que as outras da mesma família mas são aves que alojadas convenientemente são tão robustas quanto as outras, requerendo no entanto cuidados especiais e conhecimento do ciclo reprodutivo e das condições ideias para reprodução. Algumas mutações são mais susceptíveis a adoecer, requerendo cuidados adicionais, instalações aquecidas, luz artificial e cuidados extra.

Comportamento Natural e Saúde
São aves tímidas em estado selvagem sendo os últimos a ir beber água de manha e ao anoitecer, preferindo a companhia dos da sua espécie, também em cativeiro.
Em cativeiro o casal é protector do seu ninho e precisa de espaço sem ser perturbado na criação, comportamento agressivo é um sinal de domínio, vitalidade e boa saúde, podendo no entanto ser necessário remover as aves mais agressivas. Viveiros abertos são ideais em ambientes quentes.

Susceptibilidade a Doenças
No estado selvagem são mais resistentes e adaptam-se ao meio, em cativeiro são obrigados a suportar o ambiente imposto. Os casais que criam pela primeira vez são mais sensíveis que aqueles que se reproduziram em mais anos. Os machos são mais sensíveis no início da criação, e os da primeira vez especialmente, as bactérias. As fêmeas na sua primeira criação sofrem devido à postura, sendo nessa altura essencial uma boa alimentação e controlo de doenças. O problema encontrado nas aves na primeira criação pode ser minimizado com programas nutricionais equilibrados introduzidos em aves juvenis e especialmente em muda e preparação para criação. Uma correcta política de criação e selecção de aves deve ser adoptada. As primeiras aves a completar muda devem ser escolhidas pois são aquelas que se apresentam mais fortes.

Periodos Criticos na Saúde dos Gould
A crescente incidência de doenças em certas épocas pode ser explicada pelo distúrbio do seu ciclo natural de reprodução.
Ocorrem durante os períodos críticos em estados fisiológicos em aves novas e adultas. As crias são mais vulneráveis nos seguintes:
Crias
No ninho, sair do ovo requer esforço extra, após 12 dias os pais deixam de aquecer os filhos no ninho e como nessa altura as crias ainda não geram calor para elas próprias sobreviverem, permanecem encostadas umas as outras para aproveitar e manter o calor gerado por cada uma, sendo-lhes impossível manter a temperatura corporal em dias frios, morrendo de frio. Com 3 a 4 semanas as crias saem do ninho e raramente voltam para o seu interior.
Em juvenis, com 6 a 12 semanas, perdem os pontos luminosos no ângulo do bico, tornando-se auto-suficientes e os pais iniciam os preparativos para uma nova ninhada.
A independência, a agressão dos pais e o início da muda expõem as aves frágeis a doenças. Nesta altura as condições climáticas adversas afectam a saúde nas aves, pois grandes quantidades de energia são dispendidas e que são necessárias a primeira muda.

Reprodutores
- Machos: São mais susceptíveis aos efeitos do mau tempo quando iniciam a corte as fêmeas pois uma hormona sexual é libertada na corrente sanguínea, enfraquecendo o sistema imunitário. Machos fracos são aves menos capazes de gerar o seu próprio calor e embolando-se no esforço de tentarem isolar o carpo do frio. Este espaço de tempo prolongado enfraquece ainda mais a ave e se a situação se prolongar, morrem.
- Fêmeas: Sensíveis durante a produção e postura dos ovos, estando mais em risco na segunda postura se ainda estiverem a alimentar as crias da primeira. A fêmea fica mais susceptível a partir que escolhe o ninho e acasala com o macho, dispensando muita energia produzindo os ovos. O clima quente no habitat natural preserva os seus níveis de energia enquanto que num ambiente aberto, expostas a flutuações de temperatura e humidade, esgotam essa energia, causando dificuldade na postura e resistência a doenças.

Identificar Individuos Fracos
Estabelecendo pares reprodutores raramente se encontram doenças contagiosas pois o seu nível de saúde e criação é testado e provado durante a adolescência e na primeira criação. A maioria dos problemas surge em aves fracas e velhas que são incapazes de criar. A correcta selecção de aves reprodutoras é essencial.
- Machos embolados e que pouco cantem depois de criar quando o tempo não é muito quente devem ser reconhecidos como aves fracas até prova e contrario. Machos que criem a primeira vez deve ser dada uma segunda hipótese pois podem tornar-se bons criadores na próxima época de criação. Os jovens machos que se vão abaixo devem ser postos de lado até completarem a próxima muda. Dever ser retirados se falharem as criações seguintes.
- Fêmeas devem criar bem depois da primeira muda pois deverão ser fêmeas fortes. Fêmeas fracas não devem ser usadas na criação. Fêmeas novas que falhem durante a primeira postura devem ser consideradas fracas e devem ser retiradas da criação.

Prevenção de Doenças
Deve ser um processo contínuo para assegurar bons resultados e deve ser feito regularmente para controlo de parasitas internos, coccidiose, ácaros e piolhos.
- Ácaros e piolhos atacam progenitores debilitando-os e forçando abandono da ninhada e a morte das crias. O piolho vermelho é o pior pois suga o sangue ás aves durante a noite e esconde-se nas frestas e lugares escondidos nas gaiolas, devendo ser controlados em épocas quentes.
- Parasitas internos são causa de mau desenvolvimento e doenças em juvenis e adultos.
- Coccideose tem maior incidência em tempo quente e húmido

Prevenção de doenças nos juvenis
Evitar sobrepovoamento das gaiolas pois desencadeiam factores que fragilizam as aves, a muda é uma fase critica sendo necessário um cuidado constante. Os juvenis devem ser colocados em gaiolas próprias para o efeito, reduzindo o stress, proteger as aves de problemas relacionados com a separação dos pais e de modo a evitar a propagação de qualquer doença que possa surgir. Gostam de estar com os da sua idade e passam o tempo juntos, favorecendo emocionalmente a ave do stress da separação.
Sobrepovoamento, competição por comida, água e poleiro, agressões dos mais velhos, enfraquecem a ave que fica exposta a vírus como E.coli, coccidiose que se espalham rapidamente, pela água, comida e fezes. Até atingirem a plumagem adulta, são aves em risco.

Diagnóstico de Doenças
O correcto diagnostico de doenças pode por vezes ser difícil, a observação das fezes da aves pode indicar um potencial problema, a sua coloração, consistência, cheiro, …
O uso de antibióticos deve ser restrito ao tratamento só de aves doentes pois o seu uso indiscriminado pode prejudicar futuros tratamentos em vez de beneficiar.
Quando nos deparamos com uma ave doente qualquer tratamento é ineficaz se a ave não comer nada em 24H, pelo que uma observação/detecção precoce é necessária. Aos primeiros sintomas é necessário remover a ave para uma gaiola-hospital, aquecida a 28-30 graus, e estimular o apetite, electrólitos e glucose na água para ajudar a hidratar e dar energia, pois basta a ave beber para que os seus níveis de energia aumentem e esta se comece a alimentar. Só ai se pode tratar a ave correctamente. Os sintomas podem ser:
- Olhos semi-cerrados
- Inactividade, para poupar energia e normalmente perto da comida
- Alteração de cor
- Penas eriçadas
- Fezes alteradas
- Respiração pesada com bico entreaberto e balanço da cauda
- Aspecto de desconforto

Fezes
Tamanho – bom indicador de saúde na ave, fezes finas e bem formadas. Fezes grossas podem indicar stress contínuo, tipo tempo frio, sobrepovoamento, sendo necessário corrigir rapidamente esses problemas.
Cor – A alteração de cor pode indicar vários problemas.
Fezes esverdeadas podem ser devido a muita verdura, ave a comer menos, doença de fígado e intestino ou má utilização de medicamentos.
Fezes amarelo mostarda indicam problemas de digestão.
Fezes claras indicam doença grave, obstrução da moela devido a comer muito grit ou areia, bloqueio intestinal por bactérias e falta de alimentação.
Fezes brancas indicam que a ave necessita tratamento imediato
Fezes negras indicam hemorragia no intestino resultante de bactérias
Fezes amarelas indicam doença severa no fígado
Fezes sanguinolentas podem ser causadas por fome, obstrução, desidratação, mau uso de antibiótico, normalmente nada há a fazer, a ave morre.
Fezes castanhas indicam diarreia, má higiene da água ou sementes
Ventre sujo -Pode indicar doença grave, as penas sujas devem ser limpas pois podem acumular sujidade e impedir a aves de defecar.
Cheiro – por vezes um cheiro doce, cheiro a “galinha” indica doença pois numa ave saudável as fezes não tem cheiro.
Diarreia – fezes aquosas podem ocorrer em aves com sede excessiva. Infecções bacterianas, calor, algumas vitaminas ou medicamentos podem produzir fezes aquosas. Coccidiose produz diarreia com cheiro, sementes por digerir nas fezes resultam de pobre absorção de nutrientes em aves doentes que emagrecem e morrem, podendo ser devido a bactérias, tal como cochlosoma”.

Perda de Penas
Cabeça – pode ser causado por problema hormonal ou desequilíbrio na alimentação, problemas de comportamento ou infestação de fungos ou ácaros. No fim da criação pode surgir nas fêmeas na muda logo antes de estar na fase de criação se acasalada forra da época. As aves podem estar hormonalmente confusas devido a má luz artificial e temperatura.
Á volta dos olhos – sinal de sinusite, conjuntivite ou lesão na córnea.
Inclui causas de bactérias, fungos, parasita sanguíneo e infecção por ácaros.
Asas ou cauda – muda anormal devido a frio durante a muda, deficiência nutricional ou doença e infecção por Polyomavirus.

Patas e Dedos
Estes problemas são extremamente stressantes para as aves pois o inchaço dos dedos ou pata pode estar relacionado com picada de mosquito, danos causados pelo material do ninho, sementes contaminadas.

Bico Anormal
Um bico longo e deformado em aves juvenis é um sinal de Polyomavirus, uma cor pálida do bico indica falta de vitaminas, parasita sanguíneo ou Polyomavirus.

Arranhões no Bico
Esfregar o bico num ramo é uma coisa normal num Diamante de Gould mas excessivamente ou abanar muito a cabeça indica infecção das vias aéreas ou da boca. Pode ser uma deficiência de vitamina A.

Olhos
Descarga ocular é normalmente acompanhada de esfregar o bico num ramo, provavelmente conjuntivite, que pode ser derivada a outras causas, vírus, infecções, deficiência ou excesso de vitaminas, stress, ou ferida no olho.

Dificuldades Respiratórias
A ave respira abrindo o bico e fazendo um som tipo “clik” cada vez que respira pode indicar ácaros das vias aéreas, não sendo a mortalidade elevada. O piolho vermelho pode causar algum distúrbio respiratório bem como anemia e tem alta mortalidade.
Tossir ou espirrar acontece quando existe infecção bacteriana na garganta, estas aves permanecem inactivas e emboladas. Também pode ser por fungos ou bactérias e neste caso a ave esta activa e alerta.

Ave Magra
Existe uma perda progressiva de peso e a ave esgota as suas reservas de energia. Pode ser derivado a Coccidiose, E.coli, Salmonela e infecções por fungos, doenças que afectam o apetite e a absorção de nutrientes. Parasitas sanguíneos também podem causar uma perda de peso progressiva.

Vomitar
Indica problemas digestivos ou por vezes envenenamento.

Cabeça a Tremer e Balançar
Indica stress, falta de vitamina E, luz artificial demasiada, fome, envenenamento ou infecções irais.

Sintomas na Criação
Morte no ovo e infertilidade Podem estar relacionados com bactérias ou baixo nível de proteína na alimentação. Infecções por Salmonela ou Ornithosis também são causas.

Morte das crias
Infecção por E.coli ou Campylobacter, pobre incubação dos pais devido a doença, tempo frio ou problema nutricional. E.coli produz fezes líquidas e ninhos sujos, a morte ocorre nos 3 primeiros dias de vida. Campylobacter causa diarreia abundante e elevada mortalidade. Candida faz com que o papo das aves tenha muito ar.

Morte nos juvenis
Normalmente é a Coccidiose a principal causa de morte nas aves, atacando primeiro as mais fracas. Morrem muitos juvenis durante a muda por estarem mais frágeis. E.coli, Campylobacter, Candida, Cochlosoma, tricomonas e ornitose, são as doenças mais comuns nesta fase. Problemas nutricionais surgem nesta fase.

Doenças e Desordens
Aflatoxicosis
A ingestão de comida estragada ou contaminada com fungos é a causadora. As aves ficam mais quietas e com sinais de perca de peso, penas eriçadas e embolam junto da comida, fezes grossas e verde escuras e com fraca consistência. Não existe tratamento.

Campylobacter
A principal causa é o stress por sobrepovoamento, má nutrição e genes fracos. Aves adultas são portadoras e transmitem a doença para as crias. Grande mortalidade no ninho com fezes amarelas, juvenis inactivos, muda demorada ou anormal, diarreia amarela ou sólida tipo “pipoca”, perca de peso e elevada mortalidade. No adulto apatia e falta de vitalidade, muda anormal, diarreia amarela ou sólida tipo “pipoca” e perca de peso. Tratamento durante a criação e muda, durante 3 dias por mês como protecção.

Coccidiose
Doença frequente em condições húmidas, aviários sujos, temperaturas flutuantes, outras doenças má nutrição ou aves fracas.
Raramente aparece em aviários secos e higiénicos. Doença comum e fatal entre as aves pois pede a absorção de nutrientes. Crias e juvenis são mais sensíveis pois ainda não desenvolveram defesas contra esta doença. Os sintomas incluem fezes líquidas escuras e com cheiro, depressão severa, aspecto embolado, perda de peso.
Estes sintomas desaparecem 3 dias após tratamento que consiste em usar medicamento adequado.

E.Coli
Comuns em aviários exteriores e causa elevada mortalidade. Causa enterite, infecção sanguínea. Resulta de fracas condições de higiene. Pode ser introduzida no aviário por uma ave portadora, roedores ou insectos. Causa letargia e fezes líquidas largas e verdes. Tratamento com “Sulfas” e “trimethoprime” devem ser usados como primeiro tratamento em aves em aviários exteriores. O tratamento deve restringir-se a aves doentes colocadas numa gaiola hospital e com o tratamento na água. O aviário deve ser bem limpo e dar bastante água limpa as aves.

Megabacteria
Ocorre normalmente em mutações e raramente os normais são afectados, devendo-se essa causa a genes fracos e com fraca resistência a doenças. É uma doença oportunista que ataca aves fracas. Os sintomas são apetite exagerado, fraqueza e distúrbios metabólicos, perca de peso, ave embolada e tremula, sentada junto a comida e parecendo comer e vomitar, sementes sem serem digeridas nas fezes, aves com sistema nervoso afectado demonstrando falta de capacidades, fêmeas com problemas de e na postura.
Estas aves podem sobreviver durante muito tempo, morrendo facilmente durante o tempo frio. È curada através de selecção de aves resistentes à doença. Normalmente é usada “amphotericin” no tratamento mas infelizmente causa danos nos rins e infertilidade.

Acaros e Piolhos
Originam fracos resultados na criação das aves. Causam graves irritações nas aves, são sensíveis à luz, movem-se rápido e são difíceis de encontrar.
Piolho vermelho – parasita externo que morde na pele da ave e suga o sangue das crias e dos pais causando irritações e anemia.
Escondem-se nas fendas das gaiolas, poleiros e ninhos e saem durante a noite. O seu tratamento deve ser durante o dia para evitar que saiam do seu esconderijo. Podem causar problemas respiratórios, depressão, anemia e perda de ninhadas, juvenis e adultos.
Ácaro das vias aéreas – parasita interno que vive no sistema respiratório das aves causando irritação e infecções respiratórias.
Pode causar dificuldades respiratórias e morte nas crias e adultos se for grave. Os sintomas são desde espirrar a descarga nasal, perda de voz, etc. O tratamento consiste em “invermectina”, composto do “PULMOSAN” , durante 2 dias, durante 3 semanas que é o ciclo de vida do parasita. Se a ave já estiver num estado avançado ao aplicar o tratamento deve-se ter cuidado pois se for muito forte mata muitos parasitas e que acabam por matar a ave por asfixia, sendo o ideal um tratamento cuidado e progressivo.

Ornithosis
As mutações são as mais afectadas devido a sua genética. É causa comum de infertilidade associada a morte no ovo, morte das crias e maus resultados de criação. Aves criadas em aviários exteriores mostram uma maior resistência a doença. Os sintomas são letargia, ave embolada, olhos semi-cerrados e com descarga, conjuntivite, espirros. Possível causa de morte súbita nas aves e causa de maus resultados em aves que anteriormente criaram bem. O seu tratamento requer algum cuidado com medicamentos apropriados com “doxycycline” pois pode causar infertilidade.

Polyomavirus
Doença que causa danos permanentes no sistema imunitário das aves e é uma doença que surge na altura da criação. Aves jovens tornam-se portadoras e com saúde frágil. Mutações são as mais afectadas especialmente o azul. Os sintomas nas crias são morte súbita no ninho de crias de qualquer idade, crescimento lento, anemia e rejeição por parte dos pais e nos adultos aves pálidas, bico alongado, falha de entrar na condição de criação, falta de vitalidade, infecções comuns. O seu tratamento consiste na eliminação de aves portadoras e melhoria da alimentação e eliminação de factores de stress.

Salmonelas
Doença grave nos Goulds e difícil de erradicar, devendo-se identificar aves portadoras pois essas aves contaminarão gerações futuras e mesmo o uso de medicamentos mais fortes são ineficazes para curar aves cuja genética é susceptível. Fêmeas em que ocorram muitas vezes a morte no ovo devem ser evitadas. As aves criadas em aviários exteriores são mais resistentes. Os sintomas são variados e demoram semanas a manifestar-se. Nas crias causa morte em 1 a 5 dias, pele avermelhada e desidratação. Nos juvenis, olhos aquosos, descarga nasal, conjuntivite, ventre sujo, perca de peso, disfunção neurológica e dificuldade em voas. Deve ser assumida como doença ou morte súbita nas fêmeas durante a criação quando existem ratos no aviário ou local de armazenamento da comida. O tratamento com “enrofloxacina” é o primeiro tratamento e administra-se à totalidade das aves durante 10 dias consecutivos.

Streptococcal
As aves mais fracas estão mais expostas, causa infecções nos olhos, infertilidade e morte, podendo surgir em sobrepovoamento e aviários sujos. Os ninhos devem esta secos e sem cheiros. Juvenis e mutações são mais sensíveis à alimentação com baixo nível de proteína, hidratos de carbono, minerais e vitaminas, stress do frio, ácaros e ambiente poeirento. São infecções associadas a outras como polyomavirus. Pode ser erradicada se eliminados os ácaros e piolhos, poeiras e com suplementação de vitamina A. Os sintomas são súbito adoecimento do macho durante a corte ou depois, infecções uterinas nas fêmeas em criação, morte súbita no ninho ou no ovo, crescimento lento e morte, irritações cutâneas e nas patas, aparecimento de problemas respiratórios e enterites. O tratamento consiste em medicamento derivado da penicilina administrado na água das aves doentes, em gaiola-hospital. O tratamento só deve incidir sobre as aves doentes.

Candidiase
Infecções no aparelho digestivo impedindo a ave de digerir as sementes, atinge aves sob stress e deficiência de vitamina A, surge com falta de higiene, uso descontrolado de antibióticos, sendo que aves fracas geneticamente são mais sensíveis. Nas crias causa fermentação da comida no papo devido a este não esvaziar, criando ar no seu interior. As aves têm um crescimento lento, ficando desidratadas e morrendo com o papo cheio de ar. Produz úlceras na boca, papo, estômago e moela, logo a ave alimenta-se menos, perde energia e embola. Fezes verde-escuras, pegajosas e com sementes por digerir. O tratamento consiste em aliviar os sintomas com medicação própria mas só desaparecem no fim de eliminar a causa, E.coli, Ornithosis, Polyomavirus, coccidiose.

Cochlosoma
Os goulds são altamente sensíveis pois o seu sistema imunitário não evoluiu nas suas defesas à doença. Aves que recuperaram mantêm infectadas para a vida. Causa elevada mortalidade incluindo em aves criadas por bengalins que são imunes mas transmitem a doença. Nas crias causa crescimento lento, pele vermelha, elevada mortalidade e observam-se sementes por digerir nas fezes. Nos juvenis há perda de peso, aves emboladas, dificuldade na muda, sementes por digerir nas fezes. Nos adultos, aves emboladas, dificuldade em entrar em estado de reprodução, alterações de tonalidade nas penas e nas fêmeas o bico fica pálido e os machos deixam de cantar. O tratamento consiste em “Ronidazole” 2 a 3 dias por semana para controlo. As aves que recuperam são portadoras, sendo que os adultos tratados em juvenis desenvolvem resistência a futuras infecções.

Parasitas Internos
Surge com maior incidência em aves que ingerem insectos.
Roubam os nutrientes, enfraquecendo a ave causando a morte por obstrução da moela. Aves mantidas em aviários exteriores devem ser tratadas regularmente pois comem insectos. Aviários com muitas plantas representam riscos acrescidos. Os Gould não necessitam de alimento vivo, logo não são directamente afectados.
A falta de absorção de nutrientes causa perda de peso, má plumagem, anemia, ficando susceptíveis a enterites, e outros vírus.
Pais infectados rejeitam as crias. Em estado avançado causa obstrução do intestino, perda de peso, diarreia e morte. Não se propaga nas aves necessitado de um terceiro hospedeiro, formigas, insectos. O tratamento requer controlo de insectos e tratamento a base de “Piretrina”.
Depois de muitos dias de trabalho finalmente conclui o artigo. Poderia estar melhor mas foi traduzido parcialmente de um livro em Inglês: A Guide to... Gouldian Finches and their mutations" edição ABK Publications, 2005.


O CORTE DAS UNHAS

O corte das unhas nos pássaros deve ser feito quando estas se encontram excessivamente grandes a ponto de se começarem a enrolar.
Como cortar as unhas?
Pegar na ave segurando-a firmemente, olhar as unhas contra a luz. Verá que existe uma pequena veia dentro da unha. Localizando esta veia cortar a uns 2 a 3 mm abaixo da veia. Tem que se ter o cuidado para não cortar este vaso sanguineo, pois poderá causar infecções ou até a morte da ave através de hemorragia. Caso acidentalmente isto ocorra coloque uma solução cicatrizante.
Na imagem abaixo poderá visualizar a técnica correcta de modo a não correr riscos